A autoestima da mulher com deficiência – Entrevista com Vânia Martins

Há quem pense que o deficiente físico “não tem mais vida”; e eu afirmo que, se você pensa isso, é porque nunca conheceu uma pessoa incrível como a Vaninha! Sou fã mesmo! Tão fã que pedi entrevista para essa mulher de energia incrível que me inspira e que, tenho certeza, também te inspirará. Cadeirante ou não.


Luiza: Primeiro de tudo, se apresente (conte sobre você, como ficou cadeirante. Enfim, pra galera conhecer um pouco sobre sua história de vida).

Vânia: Sou Vânia Martins, carioca, filha de mãe solteira e nasci com uma distrofia chamada Duchenne. Tive um diagnóstico precoce onde já foi dito que a doença era progressiva e seu avanço seria rápido, o que ocasionaria muitas complicações na saúde e sequelas, tais como não andar e uma vida breve, por volta de 15 anos (no máximo 21 anos).

E foi real, tive muitas complicações e nunca cheguei a andar. Perdi a força muscular e movimentos dos membros inferiores e superiores. O único erro no diagnóstico foi a questão do tempo de vida. Fiz 40 já! 😬😬

 

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Sempre tive a vida com limitações, mas elas não me impediram de sonhar… sempre quis ter uma profissão, ser independente e, quem sabe, constituir família.

Deus é perfeito e me deu muito além dos meus sonhos.

Hoje estou vivíssima da Silva, hehe. Amo trabalhar com a internet e tenho o melhor companheiro da vida!

  • Nota da Lu: essa parte é linda, mas já falaremos sobre ela.

Luiza: Eu li que essa síndrome afeta só os meninos. Como assim, se tu é mulher? 🤣🤣🤣. Também li que células tronco podem ajudar, você já leu sobre isso? O que pensa?

Vânia: Verdade. A possibilidade de dar em mulher é quase zero. Sou sortuda SQN. Ou não sou mulher 🤣🤣.

Já vi sobre células tronco, mas pra minha idade não serve mais.

Luiza: Te amo 🤣🤣🤣. Serve pra qual idade? E sua doença estagnou, ou não parou como os médicos diziam? Porque você já fez 40, né 👏🏼👏🏼

Vânia: Olha, eu não vou ao médico pra saber, deixo quieto. Desde que casei, há 17 anos, não tive mais evolução e não fiquei mais internada como de costume, só sinto fraqueza nos músculos, o que é normal.

Luiza: E não têm riscos em não procurar o médico? E seu marido, como lida com esse papo de “baixa expectativa de vida”, porque fora você já ter feito 40, quem conhece vocês dois pessoalmente sabe que ele te ama horrores, né?

Vânia: Risco todos nós corremos ao não fazer um acompanhamento, nem que seja anual. Quando falo que não vou ao médico, me refiro a ir em busca de cura ou tratamentos alternativos, não sou de criar expectativas.

Sobre o maridão, ele diz que vou enterrar todo mundo kkkk. Ele é uma pessoa incrível!

Luiza: Tem muita gente que pensa que a pessoa que possui deficiência não é feliz. Claro que ninguém é feliz e pleno todos os dias, mas você é uma das pessoas mais felizes e agradáveis de conviver socialmente que eu já conheci. Qual é seu segredo, lema de vida, sei lá? Sou fã mesmo (2)!!!

Vânia: A felicidade é algo pessoal e vem de dentro. Desde muito pequena, sou muito falante e alto astral. Meu segredo está na gratidão que tenho a Deus e às pessoas que me cercam.

Luiza: E quando você está desanimada, com baixa autoestima, o que gosta de fazer para se animar?

Vânia: Falar kkkk, colocar pra fora. Não sou de guardar sentimentos, expresso todos os bons e ruins.

 

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Luiza: Falando em autoestima, quais dicas você daria para aquela mulher que acabou de ficar cadeirante?

Vânia: Busque algo que mais gosta em você e procure se valorizar, você é única!

Luiza: E quais dicas daria para ela se sentir poderosa e sexy?

Vânia: Não abra mão de se sentir bem, cuide do cabelo, da pele, vista uma roupa legal, mesmo que pra tudo isso você precise da ajuda de alguém.

Luiza: Falando em sexy, dê umas dicas para quem ainda não arrumou um boy magia, porque você não só é casada, como muito bem casada com um cara super gente boa (quem me segue no Instagram @pergunteaumamulher já viu depoimento dele pra Vaninha, inclusive. É um casal LINDO!).

Vânia: Mulherada, vamos saber selecionar aí, rsrs. Eu conheci outras pessoas antes do meu atual marido, mas o que mais me encantou nele foi a forma que ele me tratava. Eu acho esse o ponto fundamental. Não fique com alguém se não for por esse motivo, pois nós, mulheres, devemos ser muito amadas e respeitadas!

 

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Luiza: Sei que é um assunto delicado e você só fala caso se sinta à vontade para isso, mas quais dicas sobre saúde sexual você poderia dar para quem ainda se encontra perdida nessa área e passa por situações semelhantes à sua?

Vânia: Nossa, esse é um assunto que abordo no meu canal e toda vez fico perplexa com os depoimentos.

Nós, mulheres com deficiência, muitas vezes somos tratadas como assexuadas, principalmente pela família, e isso é um erro! Devemos cuidar dessa área como qualquer outra mulher!

O que oriento a mulher com deficiência a fazer é que ela procure informação. Hoje a internet tem nos ajudado muito a quebrar esses tabus.

Luiza: E quando a família falava que você não ia encontrar ninguém? Porque já conversamos sobre isso, né? Como você reagia/lidava com isso? Hoje em dia, chupaaaaaa quem te encheu o saco com isso, né? Tá mais bem casada do que muitas mulheres por aí! (Desculpa, ia morrer se não falasse isso kkkkk)

Vânia: Imaginei sua risada agora kkk, que por sinal eu amo e estou com saudades!

No início sofri muito, chorei, pensei em desistir da minha história de amor, mas resolvi arriscar. Hoje vejo que foi a melhor decisão que tomei.

 

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Luiza: Por fim, liste algumas dicas fundamentais para quem acha que “a vida acabou aqui”.

Vânia: Você tá viva, isso é fenomenal.

Seja grata pelo pouco que tem.

Não viva de acordo com diagnósticos e opiniões, siga aquilo que você acredita.

 

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Luiza: É isso miga, muitoooooo obrigada pela entrevista! Gostaria de acrescentar mais algo?

Vânia: Ah, quero te agradecer a oportunidade e, quem quiser saber mais da minha história, me siga no Instagram @rampadeacesso e no meu canal no Youtube Rampa de Acesso. Também tenho o site Rampa de Acesso.

Um grande Beijo!

Luiza: Obrigadaaaaa!

Beijos!
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